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quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
463 anos...
Bom, acabou que eu não disse uma palavra pela passagem do aniversário de Salvador. Quer dizer, pus um poema no blog... mas poema não é palavra...
463 anos...Tiro a primeira dezena para ser a minha idade. 463 anos do começo de uma dominação branca efetiva no território indígena...Como ainda se pode condenar tanto a invasão de terras e prédios nesses país? Invasão, não! Ocupação!
,,,e nós, em Salvador, vamos seguindo suspensos entre seus encantos e mazelas. Ou melhor, oscilamos emoções, como na letra de uma canção que fiz na adolescência e que vai abaixo deste texto. E como disse Gilberto Gil, Bahia, “...primeira missa, primeiro índio abatido também...primeiro carnaval, primeiro pelourinho também...”
Também abaixo, o poema Coração Suburbano, falando (talvez) da própria cidade, imaginando que certos modos metropolitanos pudessem tardar a chegar por aqui...
Salvador, Salvador
Residência do amor
Terra do meu senhor do Bonfim
Quando será o fim de tão pobres favelas?
Quando tuas calçadas deixaram de ser
Um tapete morto-vivo...?
São crainças e mães, todos eles mendigos
À espera de pães...de quem?
Salvador, Salvador
Quantas praias tão lindas, de belezas não findas
Como a dor das feridas expostas
Que ornamentam suas ruas
Passam pessoas cruas
Ficam pessoas, postas
A minguar por comida
A migrar de susas vidas
A migalhas caídas é que se mantém...
Foto: sem referência
quarta-feira, 28 de março de 2012
Coração Suburbano
Para Roberto Imolê
o meu coração não quer
ser completamente urbano
não
pulsa pop, pós-moderno
baile funk de salão
mas se larga à beira-mar
lacrimando uma canção de amor
mariscando sensações
ruminando o tempo
(todo tempo interior
que eu me possa permitir)
batendo no peito do povo de keto
meu coração brilha
para o mundo ver
e volta sempre à mesma trilha
lenta
de trem no trilho
volta sempre pra você
meu coração de subúrbio
quer o plus metropolitano
sem os adereços violentos
que lhe tirem o ar provinciano
sem aquelas coisas mais (demais)
que lhe turvem o céu
ou em que possa sucumbir
meu coração suburbano
gosta das luzes da cidade
da distância da cidade
dessa possibilidade...
Poema do livro O vento, 2003, pg.19.
terça-feira, 13 de março de 2012
Queridas(os) Leitoras(es)
Agradeço muito a vossa presença no lançamento. A festa não teria o brilho sem vocês. Aliás, não teria brilho. Marcamos mais um ponto pra Literatura Negro-brasileira. Espero que os tais contos possam devolver um pouco da inspiração, força e coragem que pretendi tirar de vidas como as tuas. Fomos tão mexidos nesses séculos, não? E ainda somos...
Bem, o outono se avizinha...
Boa Leitura.
Lande M. Muzanzu Onawale
Bem, o outono se avizinha...
Boa Leitura.
Lande M. Muzanzu Onawale
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Lançamento - Sete: diásporas íntimas
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Informações:
Camila Moraes (CEAFRO) - (71) 3283-5510
Lande Onawale - landeonawale@yahoo.com.br
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
A bailarina
Para Fernanda Felisberto
Não via a hora da estréia do comercial. Seria no horário nobre, e o bairro inteiro, aliás, a cidade inteira se tornaria um buchicho só no dia seguinte. À tarde, fora buscar o cachê da sua participação e, junto com as outras dançarinas, assistiu ao filme já editado. Faltava apenas a inserção da logomarca do produto. As evoluções por demais ensaiadas no estúdio e na escola de balé que frequentavam ficaram perfeitas. Os passos finais, em slow motion, culminavam com o salto de todas em direção à câmara. uma das colegas, a de perfil mais próprio, mais nórdico, mostra, na palma da mão, o copinho do iogurte anunciado - o produto disputando a tela com os sorrisos sadios das moças por breve 5 segundos de imagem congelada.
Às 19 horas, a janela da sala - e o próprio cômodo - estava apinhada de gente. Quem possuía TV em casa ouviu as reclamações de quem não possuía o aparelho: todos consideravam mais emocionante assistir ao comercial na casa da artista.
Plim Plim. Os moleque largavam as bolas de gude na réstia de barro onde brincavam e se enfiaram por entre as pernas dos adultos. A irmã da bailarina, na varanda, interrompeu o beijo e adentrou a sala arrastando o namorado pela mão. Os comerciais que se sucediam, mesmo os mais tolos, nunca tiveram uma plateia tão atenta e silenciosa.
Começou. As moças dançavam como as cabeças dos expectadores. "Cadê ela?!" "Ali ó. Aquela de roupa azul." "Mas são várias! Bem que a TV poderia ser maior, né?", observou um vizinho. "No final fico mais visível", disse a dançarina aflita. "Psssiu!", repreendeu a mãe.
Para todos os 30 segundos foram eternos. Quando o balé iniciou os movimentos finais, a bailarina inclinou-se instintivamente para a TV. na tela, ao canto superior direito, uma tarja branca com o nome do produto apareceu e foi escorregando em diagonal. Foi entrando... entrando... e parou, escondendo ao fundo seu rosto negro tão bonito.
Conto presente no livro "Terra de Palavras", organizado por Fernanda Felisberto.
Terra de Palavras: contos. Rio de Janeiro: editora Pallas; Afirma. 2004, pg. 35-36.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
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